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Dezembro 2009

Clipping das principais notícias e entrevistas com referências à Associação.



11/12/2009
Número de projetos de MDL no Brasil tem queda de
50% em 2009


Levantamento realizado pela Associação Brasileira das Empresas do Mercado de Carbono (ABEMC) mostra que o Brasil caminhou para trás em 2009 no que se refere à aprovação dos projetos de MDL (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo), junto ao Conselho Executivo da ONU, com uma queda de 50% no número de projetos registrados em 2009, comparativamente a 2008.

Em âmbito mundial, estimativas preliminares apontam que o valor de comercialização dos créditos diminuiu em 2009 para US$ 118 bilhões, em comparação a US$ 126 bilhões em 2008, mas o número de projetos registrados teve um incremento de 60%, de 367 para 610 em igual período.

Em 2008, foram registrados 34 projetos brasileiros, o equivalente a 9% dos 367 projetos no mundo. Já em 2009, o número caiu para 17 no Brasil. Com isso, a participação do País diminuiu para menos de 2% entre os 610 projetos registrados em âmbito mundial.

O presidente da ABEMC, Flávio Gazani, explica que a falta de compreensão quanto ao funcionamento do mercado de carbono, a ausência de um regime tributário específico, os riscos regulatórios e a falta de definição da natureza jurídica dos CERs (Certificado de Emissão Reduzida) são fatores que têm afetado diretamente o número de registros de MDL no Brasil.

A isso se acresce ainda a demora no processo de aprovação e a proximidade do período de 2012, em torno do qual há incerteza quanto ao estabelecimento de um novo protocolo – fator este que, juntamente com os efeitos da crise financeira internacional, afetou também o mercado mundial.

“A falta de um acordo global para extensão do período de compromisso do Protocolo de Quioto e a consequente limitação no horizonte de geração de Créditos de Carbono e do valor garantido após 2012, têm inibido os investidores”, explica o presidente da ABEMC. Além disso, a queda na demanda pelos CERs registrada em função da crise financeira internacional e a maior oferta de Alocações/Allowances (quotas de emissão de GEE concedidas às empresas européias participantes do European Union Emissions Trading Scheme (EU-ETS) também influenciaram negativamente este mercado.

Potencial

Desde a implementação dos projetos de MDL foram registrados 165 projetos do Brasil no Conselho Executivo de MDL da ONU, em comparação a 1.946 projetos em âmbito mundial, segundo dados atualizados até o último dia 04 de dezembro.

A estimativa é que esses 165 projetos possibilitem a geração de 20,8 Milhões de Créditos de Carbono em média por ano, com um potencial de negociação total de R$ 686 milhões/ano (o cálculo considera um valor médio do Crédito de Carbono de 12 euros e um câmbio de 1 euro X R$ 2,74).

Os 34 projetos brasileiros, registrados em 2008 junto ao Conselho Executivo do MDL na ONU, representam uma média anual de emissões de créditos de carbono no valor total de R$ 74,7 milhões. Tais projetos podem chegar a gerar R$ 1,56 bilhão, se considerado o prazo máximo de duração de um projeto. No desenvolvimento de um projeto de MDL tem-se a opção da escolha de um período único de 10 anos ou períodos de sete anos, renováveis por igual duração, totalizando 21 anos (3 X 7 anos).

Já em 2009 o número caiu para 17 projetos (segundo dados até novembro), representando uma média anual de emissões de Créditos de Carbono da ordem de R$ 38,5 milhões, valor este que pode alcançar R$ 808 milhões, se considerado o período máximo de duração de um projeto.

Fonte: Portal CarbonoBrasil, Mercado de Carbono, Notícias, ABEMC
Web: http://www.carbonobrasil.com/#noticias/noticia=724119

Fonte:
Ambiente Energia Revista Digital, Economia Verde,
Notícias, ABEMC
Web: http://www.ambienteenergia.com.br/2009/12/abemc-registra-queda-de-50-no-numero-de-projetos-de-mdl-no-brasil/

Fonte:
Plurale Revista Digital, Crédito Carbono, Notícias, ABEMC
Web: http://www.plurale.com.br/noticias-ler.php?cod_noticia=7054&origem=&filtro=  



10/12/2009 ARTIGO
O Brasil e as mudanças climáticas

RIO - Um aquecimento acima de 2 graus na temperatura atual do planeta já resultaria em febre na Terra. Os cientistas do mundo inteiro indicam que, se continuarmos a nos desenvolver da mesma maneira como fazemos hoje, as emissões globais de gases causadores do efeito estufa (GEE) aumentarão 70% até 2050.

Para conter o aumento da temperatura global em 2 graus, nível necessário para que as alterações climáticas ainda sejam suportáveis ou adaptáveis, é preciso reduzir as emissões globais em 17 GtCO2e/ano (17 bilhões de toneladas de GEE expresso em CO2 equivalente). Hoje já emitimos cerca de 45 GtCO2e/ano, e as projeções apontam para 61 GtCO2e/ano. Portanto, são necessários cortes mínimos na ordem de 25% das emissões globais até 2020.

Um ponto chave é como reduzir nossas emissões de GEE, pois, para isto, os países em desenvolvimento dependem de tecnologia e de recursos das nações ricas – e até mesmo estas, até hoje, não estão conseguindo reduzir suas emissões a níveis satisfatórios. O mundo enfrenta um desafio enorme, e é necessária uma transição para uma economia de baixo carbono. O Brasil deve tomar uma posição proativa, cumprindo metas ambiciosas de redução de emissões, buscando subsídio e incentivo internacional para apoiar a indústria brasileira a se transformar em um setor de baixa emissão a tempo de não perder vantagem competitiva.

Neste contexto, o Brasil também tem que lidar com a realidade do pré-sal, que, segundo estimativas do Ministério do Meio Ambiente, deve adicionar pelo menos 100 milhões de toneladas nas emissões apenas na extração e no refino, triplicando os números atuais da Petrobras. Para que o Brasil possa se colocar em uma rota de transição para uma economia de baixo carbono, ao mesmo tempo em que explore o pré-sal, precisamos investir concomitantemente uma parte significativa dos recursos para estimular a redução de emissões no país.

A Amazônia, mais do que nunca, é vista como o pulmão do mundo. Com o aumento do aquecimento global e o reconhecimento de que as emissões provenientes do desmatamento contribuem para esta febre do planeta, temos mais claro o papel da Amazônia para o equilíbrio do ecossistema mundial e brasileiro. Louvável a meta anunciada por Carlos Minc de reduzir o desmatamento em 80% até 2020, apesar de o Greenpeace acreditar que é possível atingir uma meta de desmatamento zero até 2015.

Assunto polêmico em pauta na 15ª Conferência do Clima (COP-15) é a possível inclusão da preservação de florestas nativas nos acordos climáticos. A diplomacia brasileira foi sempre muito sensível a este tema, por razões de soberania nacional, afinal somos donos de 60% da maior floresta tropical do planeta, mas já se dispõe a discutir tal inclusão.

No entanto, hoje se reconhece a importância das emissões de carbono provenientes do desmatamento. Estimativas apontam que a preservação de florestas nativas por meio do mecanismo chamado REDD (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação) permitirá resgatar cerca de 5 GtCO2e/ano, do total de 17 GtCO2e/ano que devem ser reduzidas. Isto poderia gerar uma receita entre US$ 20 e US$ 40 bilhões ao ano no mundo, dos quais de US$ 8 a US$ 16 bilhões podem vir para o Brasil, representando um importante incentivo para a redução do desmatamento no país.

Contudo, o REDD deve ser também um meio de conservação da floresta associado à exploração sustentável em áreas específicas, e não prever apenas a manutenção das florestas em pé (conservação florestal ou criação de reservas). A inclusão do manejo florestal sustentável (exploração de impacto ecológico reduzido) como atividade em um projeto de REDD, o chamado REDD+ (mais ou plus), pode trazer uma atividade econômica sustentável para a região da Amazônia.

Para estimular a redução do desmatamento é fundamental que se criem mecanismos mistos de financiamento, tanto de gestão pública, como o Fundo Amazônia, financiado por doações internacionais e gerido pelo BNDES, como também de mercado com participação privada. Afinal o capital privado tende a se mover mais rápido e ambos os esforços são necessários.

Podemos então concluir que é necessária cooperação mundial para conter o problema e manter relativo equilíbrio climático na Terra. Espera-se durante a COP 15 em Copenhague que as nações reunidas somem esforços em um novo acordo internacional dando continuidade ao compromisso inicial assumido no Protocolo de Kyoto, porém com metas desta vez bem mais ambiciosas.

Fontes: Jornal do Brasil, Vida, Saúde e Ciência, Pág. A-24; e
JB Online; Flavio Rufino Gazani, presidente da ABEMC

Web: http://jbonline.terra.com.br/pextra/2009/12/10/e10125959.asp  
Arquivo PDF: Jornal do Brasil_10dez2009__Artigo Flavio Gazani



08/12/2009
Brasil, desmatamento e créditos de carbono na COP-15

Brasil atrairá atenção na COP 15 com propostas para redução do desmatamento como fator de geração de créditos de carbono

Essa é a avaliação da ABEMC – Associação Brasileira das Empresas do Mercado de Carbono – que faz parte da missão diplomática brasileira, sobre os mecanismos de REDD e REDD+

O Brasil chegou à 15ª Conferência das Partes (COP-15) da Convenção-Quadro da ONU sobre Mudança do Clima, para as negociações sobre um acordo em substituição ao Protocolo de Kyoto, que irá até o dia 18 de dezembro, em Copenhague, na Dinamarca, como uma das nações em destaque frente aos negociadores e governantes dos 191 países participantes, devido a sua meta expressiva de redução de emissões e ao fato de ser um dos países mais diretamente interessado na inclusão, no acordo, de mecanismos de preservação das florestas – tema que agita o debate entre especialistas, ambientalistas e o setor empresarial de todo o mundo.

Nesse cenário, o volume de projetos de MDL (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo), poderá ficar até abaixo do volume registrado este ano, quando se situou em torno de US$ 118 bilhões - já abaixo dos US$ 126 bilhões registrados em 2008, devido aos efeitos da crise financeira internacional e a insegurança jurídica pós-2012.A proposta brasileira, de redução de suas emissões entre 36,1 e 38,9% até 2020, em relação aos níveis de 2005, prevê que a maior parte da meta será obtida pela redução do desmatamento da Amazônia (80%) e do Cerrado (40%), com participação ainda pequena de outras áreas e setores.

Flavio Gazani, presidente da Abemc – Associação Brasileira das Empresas do Mercado de Carbono – lembra que o governo brasileiro, depois de resistir a princípio incluir florestas nativas nas negociações do Protocolo de Kyoto, mudou recentemente sua posição e deve defender esse mecanismo nas propostas para a COP-15. Nesse contexto, torna-se viável a aprovação de projetos de conservação florestal conhecidos pela sigla em inglês REDD (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação) - um dos pontos vitais da negociação para o Brasil.

Os projetos de REDD podem gerar créditos pelo carbono que as florestas seqüestram quando estão vivas. Já a queima ou apodrecimento das árvores responde por cerca de um quinto das emissões globais de gases do efeito estufa.

Atualmente, os projetos de REDD estão fora do mercado de carbono, pelo qual países e empresas recebem créditos para compensar suas emissões quando sustentam projetos que evitam emissões em outros lugares.

A devastação da Amazônia, especialmente para a extração de madeira e expansão da pecuária, é a maior fonte de emissões de carbono do Brasil, que há anos é pressionado a reduzir o desmatamento. Nos últimos 40 anos, a floresta perdeu cerca de 20% da sua área.

O presidente da ABEMC destaca que o REDD deve ser um meio de conservação da floresta associado à exploração sustentável em áreas específicas, e não prever apenas a manutenção das florestas em pé (conservação florestal ou criação de reservas).

A inclusão do manejo florestal sustentável (exploração de impacto ecológico reduzido) como atividade em um projeto de REDD é chamada de REDD+ (plus ou mais). Segundo dados da Imaflora, ONG com forte atuação no setor florestal, de 115 milhões de hectares de florestas certificadas pelo FSC (incluindo florestas nativas e plantadas) apenas 5 milhões de hectares (79 projetos) são do Brasil, ou seja ainda é tímido o número de projetos de manejo florestal sustentável no Brasil. Com a criação de mecanismos de REDD, esse número poderia multiplicar exponencialmente trazendo uma atividade econômica sustentável para a Amazônia.

Por outro lado, segundo dados do MMA (Ministério do Meio Ambiente), os mecanismos de REDD permitirão resgatar até 5 Giga toneladas de CO2e do total de 17 Giga toneladas que devem ser reduzidos para manter o nível recomendado pelo IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), para manter um nível ‘seguro’ de adaptação às mudanças climáticas. Isto permitirá gerar uma receita entre US$ 20 bilhões e US$ 40 bilhões ao ano no mundo, dos quais de US$ 8 a US$ 16 bilhões podem vir para o Brasil, representando um importante incentivo para a redução do desmatamento e impulso para o mercado de créditos de carbono no país.

Para estimular a redução de emissões por desmatamento e degradação, o presidente da ABEMC, Flavio Gazani, destaca que é fundamental que se criem mecanismos mistos de financiamento, tanto mecanismos de mercado com participação privada quanto de gestão pública – nos quais os recursos são disponibilizados por instituições financeiras do governo –, incluindo as contribuições voluntárias como o Fundo Amazônia, gerido pelo BNDES.

"Todos nós deveríamos concordar que as emissões pelo desmatamento são uma parte significativa do problema, e deveríamos também admitir que poderíamos usar alguma ajuda", observa o presidente da ABEMC. Contudo, há sinalização de que o financiamento destes projetos poderia ser restrito a fundos geridos pelo governo. “Consideramos fundamental que o REDD tenha também a participação do mercado”, completa Gazani.

Gazani disse que o Brasil tem oportunidades para entrar nos mercados voluntários de carbono, que países não integrantes do atual Protocolo de Kyoto usam para compensar suas emissões. É nesse mercado que os REDDs podem ser implantados.

O mercado voluntário em 2008 atingiu apenas US$ 700 milhões, ao passo que o mercado global de carbono atualmente está estimado em quase US$ 126 bilhões. "É um mercado pequeno, mas crescente", disse ele. "A vantagem é que ele não enfrenta a limitação do prazo de 2012 do Protocolo de Kyoto".

Fonte: Farol Comunitário, Uberlândia, MG, GP Comunicação
Web: http://www.farolcomunitario.com.br/meio_ambiente_000_0289.htm  



07/12/2009
Brasil na COP-15 tem muitas soluções e reivindicações

São Paulo - O Brasil chega à 15ª Conferência das Partes (COP-15) da Convenção-Quadro da ONU sobre Mudança do Clima, para as negociações sobre um acordo em substituição ao Protocolo de Kyoto, entre hoje e o próximo dia 18 de dezembro, em Copenhague, na Dinamarca, como uma das nações em destaque frente aos negociadores e governantes dos 191 países participantes, devido a sua meta expressiva de redução de emissões e ao fato de ser um dos países mais diretamente interessado na inclusão, no acordo, de mecanismos de preservação das florestas – tema que agita o debate entre especialistas, ambientalistas e o setor empresarial de todo o mundo.

São inúmeros e complexos os aspectos que deverão ser equacionados para a aprovação de um acordo envolvendo os diversos países – devido às restrições e custos adicionais que a redução de emissões de carbono pode representar para os objetivos de crescimento mais acelerado de nações em desenvolvimento como Índia, China e o próprio Brasil, e às incertezas que ainda pairam sobre a COP-15 a respeito da participação efetiva dos Estados Unidos para viabilização de um acordo já nesse encontro.

“A COP-15, a despeito das dúvidas que pairam sobre a posição que os diversos países irão adotar e a viabilidade de realização de um acordo nesse momento, já é um acontecimento muito favorável e positivo, pois avançará na discussão das metas e dos mecanismos possíveis para atingi-las”, afirma Flavio Gazani, presidente da ABEMC – Associação Brasileira das Empresas do Mercado de Carbono.

Entre as questões que geram grande expectativa está a dúvida se o acordo vai abranger os países em desenvolvimento, como e em qual medida eles serão cobrados por essas metas. “O Brasil assume papel de liderança com metas tão elevadas, mas os objetivos propostas pelo governo brasileiro são voluntários e não mandatórios”, observa Gazani.

Se os Estados Unidos não se comprometerem com a definição de metas e não houver um acordo, isso terá efeitos sensíveis sobre o mercado de carbono e até poderá gerar insegurança, inibindo os projetos de créditos de carbono. “Se não for possível fechar um acordo em Copenhague, isto só deverá ocorrer no final de 2010, e quanto maior a demora, maior a insegurança nos investimentos”, adverte o presidente da ABEMC.

Nesse cenário, o volume de projetos de MDL (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo), poderá ficar até abaixo do volume registrado este ano, quando se situou em torno de US$ 118 bilhões - já abaixo dos US$ 126 bilhões registrados em 2008, devido aos efeitos da crise financeira internacional e a insegurança jurídica pós-2012.A proposta brasileira, de redução de suas emissões entre 36,1 e 38,9% até 2020, em relação aos níveis de 2005, prevê que a maior parte da meta será obtida pela redução do desmatamento da Amazônia (80%) e do Cerrado (40%), com participação ainda pequena de outras áreas e setores.

Flavio Gazani lembra que o governo brasileiro, depois de resistir a princípio incluir florestas nativas nas negociações do Protocolo de Kyoto, mudou recentemente sua posição e deve defender esse mecanismo nas propostas para a COP-15. Nesse contexto, torna-se viável a aprovação de projetos de conservação florestal conhecidos pela sigla em inglês REDD (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação) - um dos pontos vitais da negociação para o Brasil.

Os projetos de REDD podem gerar créditos pelo carbono que as florestas seqüestram quando estão vivas. Já a queima ou apodrecimento das árvores responde por cerca de um quinto das emissões globais de gases do efeito estufa.

Atualmente, os projetos de REDD estão fora do mercado de carbono, pelo qual países e empresas recebem créditos para compensar suas emissões quando sustentam projetos que evitam emissões em outros lugares.

A devastação da Amazônia, especialmente para a extração de madeira e expansão da pecuária, é a maior fonte de emissões de carbono do Brasil, que há anos é pressionado a reduzir o desmatamento. Nos últimos 40 anos, a floresta perdeu cerca de 20% da sua área.

O presidente da ABEMC destaca que o REDD deve ser um meio de conservação da floresta associado à exploração sustentável em áreas específicas, e não prever apenas a manutenção das florestas em pé (conservação florestal ou criação de reservas).

Por outro lado, segundo dados do MMA (Ministério do Meio Ambiente), os mecanismos de REDD permitirão resgatar até 5 Giga toneladas de CO₂e do total de 17 Giga toneladas que devem ser reduzidos para manter o nível recomendado pelo IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), para manter um nível ‘seguro’ de adaptação às mudanças climáticas. Isto permitirá gerar uma receita entre US$ 20 bilhões e US$ 40 bilhões ao ano no mundo, dos quais de US$ 8 a US$ 16 bilhões podem vir para o Brasil, representando um importante incentivo para a redução do desmatamento e impulso para o mercado de créditos de carbono no país.

Para estimular a redução de emissões por desmatamento e degradação, o presidente da ABEMC, Flavio Gazani, destaca que é fundamental que se criem mecanismos mistos de financiamento, tanto mecanismos de mercado com participação privada quanto de gestão pública – nos quais os recursos são disponibilizados por instituições financeiras do governo –, incluindo as contribuições voluntárias como o Fundo Amazônia, gerido pelo BNDES.

"Todos nós deveríamos concordar que as emissões pelo desmatamento são uma parte significativa do problema, e deveríamos também admitir que poderíamos usar alguma ajuda", observa o presidente da ABEMC. Contudo, há sinalização de que o financiamento destes projetos poderia ser restrito a fundos geridos pelo governo. “Consideramos fundamental que o REDD tenha também a participação do mercado”, completa Gazani.

Gazani disse que o Brasil tem oportunidades para entrar nos mercados voluntários de carbono, que países não integrantes do atual Protocolo de Kyoto usam para compensar suas emissões. É nesse mercado que os REDDs podem ser implantados.

O mercado voluntário em 2008 atingiu apenas US$ 700 milhões, ao passo que o mercado global de carbono atualmente está estimado em quase US$ 126 bilhões. "É um mercado pequeno, mas crescente", disse ele. "A vantagem é que ele não enfrenta a limitação do prazo de 2012 do Protocolo de Kyoto".

Sobre a COP-15

Pelo menos 65 líderes mundiais confirmaram presença em Copenhague - entre eles o presidente Luiz Inácio Lula da Silva; o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e a chanceler alemã, Angela Merkel -, para participar da reunião das Nações Unidas sobre o clima, em Copenhague, em dezembro. Autoridades dinamarquesas convidaram os chefes de Estado e governo de 191 países membros da ONU para a etapa final do encontro, cujo objetivo é produzir um acordo mundial para enfrentar as mudanças climáticas que substitua o Protocolo de Kyoto, que vence em 2012. O encontro deve contar com a presença de cerca de 8 mil pessoas, entre delegações, jornalistas e observadores.

Fonte: Infoenergia, Notícias
Web: http://www.infoenergia.com.br/noticias_etanol.asp?codigo=405  



06/12/2009
Entenda como funciona o mercado de crédito de carbono

Com os constantes alertas dos danos que podem ser causados pela mudança do clima mundial, uma das alternativas encontradas pelas empresas para compensar o investimento na redução da emissão de gases poluentes é o mercado de carbono.

Instituídos pelo Protocolo de Kyoto, acordo assinado em 1997 pelos países da ONU (Organização das Nações Unidas), os créditos de carbono são usados para controlar a interferência humana nas condições climáticas mundiais.

Redução de emissões pode render ao Brasil US$ 16 bi por ano

Segundo o Protocolo, cada tonelada de dióxido de carbono (CO2) equivale a um crédito de carbono, que pode ser negociado no mercado mundial. Se uma empresa emitir menos carbono do que o exigido pelo acordo, pode vender créditos àquelas que estão poluindo acima do limite estabelecido.

Em geral, os países desenvolvidos compram crédito de carbono dos países emergentes, para poderem cumprir suas metas. Atualmente, os grandes consumidores do mercado de carbono são os países da Europa e o Japão.

Em entrevista ao eBand, o presidente da Abemc (Associação Brasileira de Empresas do Mercado de Carbono), Flavio Gazani, explicou quais são os passos para que um projeto de uma empresa obtenha autorização para gerar créditos de carbono: “Para o projeto poder entrar em vigor, deve passar por um processo de aprovação no âmbito nacional – pela Comissão Interministerial de Mudanças Climáticas, encabeçada pelo Ministério de Ciência e Tecnologia – e no âmbito internacional, obtendo um registro na ONU.”

Após passar por esse processo, um projeto que reduz as emissões de carbono na atmosfera começa a gerar créditos de carbono. “Podemos citar como exemplos a utilização de energia renovável, que gera créditos porque está substituindo uma fonte fóssil de energia. São projetos que reduzem emissões por usar energias renováveis ou por capturarem gases do efeito estufa”, comentou.

Outro exemplo de projeto que pode gerar créditos é a captação do metano emitido pela decomposição de matérias orgânicas em aterros sanitários. É possível instalar coberturas e tubulações para coletar o gás e incinerá-lo. Além de evitar a poluição do ar, o gás capturado pode inclusive gerar energia elétrica.

Cálculo

Segundo Gazani, existem parâmetros científicos pré-estabelecidos para se calcular quantos créditos de carbono foram gerados por um projeto. Há um fator para cada combustível fóssil e poluente que deixa de ser emitido. “Os valores são determinados pelo IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas), um órgão que auxilia os países membros do Protocolo de Kyoto.

Quanto custa?

Cada crédito de carbono equivale a uma tonelada de dióxido de carbono que deixou de ser emitida na atmosfera. O preço de cada crédito estava em torno de 20 euros antes da crise financeira internacional, mas atualmente custa entre 12 e 13 euros, segundo informações divulgadas pela Abemc.

Fonte: Portal eBand, Jornalismo, Economia, Gianvitor Dias
Web: http://www.band.com.br/jornalismo/economia/conteudo.asp?ID=234463  



06/12/2009
Redução de emissões pode render ao Brasil
US$ 16 bilhões por ano


Uma das grandes discussões atuais do mercado internacional é como aliar o crescimento dos países e o lucro das empresas a ações que protejam o meio ambiente e que cumpram os compromissos assumidos nas conferências mundiais sobre o clima. No entanto, os cuidados com o meio ambiente podem ser mais promissores para a economia do que aparentam.

Segundo a Abemc (Associação Brasileira das Empresas do Mercado de Carbono), o Brasil poderá arrecadar até US$ 16 bilhões por ano com a venda de crédito de carbono florestal. Ou seja, ao evitar desmatamentos, o país, além de colaborar com o meio ambiente e combater o aquecimento global, pode vender a outras nações a quantidade de carbono que deixou de ser lançada à atmosfera.

Entenda como funciona o mercado de crédito de carbono

A inclusão de projetos de preservação florestal (Redd na sigla em inglês) será discutida no novo tratado climático a ser estabelecido pela ONU (Organização das Nações Unidas) a partir desta segunda-feira, dia 7, em Copenhague, capital da Dinamarca.

No entanto, Flavio Gazani, presidente da Abemc, alerta que a adaptação das empresas gera um aumento de custos, que será eventualmente repassado ao consumidor final. “Apesar disso, a sociedade precisa perceber que é necessário internalizar esse custo porque as mudanças climáticas são um problema muito sério, que pode afetar a vida de todos nós”, comentou.

O especialista avalia que, caso os investimentos na preservação do meio ambiente não se intensifiquem, os efeitos do aquecimento global podem tomar proporções desastrosas: “Se houver um aumento muito significativo nas temperaturas, isso afeta todo o ecossistema e já está afetando atividades econômicas, como a agricultura”.

Participação do Brasil

Segundo Gazani, o Brasil sempre teve um papel importante e proativo nas negociações sobre o clima. “O Rio 92 traçou as bases do Protocolo de Kyoto”, lembrou.

Atualmente, existem mais de 400 projetos para a redução da emissão de gases do efeito estufa no país, e muitos só foram possíveis devido à receita gerada pela venda de créditos de carbono.

O programa 3S (Suinocultura Sustentável Sadia), por exemplo, foi o primeiro do setor agrícola no mundo a obter um registro na ONU. A empresa instalou biodigestores nas granjas de suínos que usam como matéria orgânica os resíduos gerados pelos animais. Esse material é fermentado por bactérias em tanques cobertos, evitando a emissão na atmosfera de gás metano (CH4), que é 21 vezes mais poluente que o dióxido de carbono (CO2).

A redução da emissão de gases do efeito estufa é contabilizada por um sistema de monitoramento informatizado, que possui uma metodologia de cálculo aprovada pela ONU. De tempos em tempos, os dados são recolhidos e conferidos por empresas certificadoras, que repassam as informações à ONU. Assim, a organização emite um certificado de crédito de carbono, que pode ser comercializado.

“Percebemos que o desenvolvimento de um trabalho voltado aos suinocultores traria um duplo benefício para a sustentabilidade de nosso negócio: a redução das emissões de gases causadores do efeito estufa e a viabilização de uma nova atividade que poderia vir a representar uma alternativa de renda para nossos produtores, via negociação de créditos de carbono usando o MDL (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo) previsto no Protocolo de Kyoto”, informou a Sadia, em nota ao eBand.

Dificuldades

Segundo o presidente da Abemc, o mercado de carbono tem trazido resultados positivos, mas que muitos pontos do processo deveriam ser aprimorados. “Vários projetos estão demorando muito tempo para serem aprovados. Além disso, não houve participação integral de todos os países no mercado de carbono e ainda há rejeição por parte dos Estados Unidos, que respondem por 25% das emissões mundiais. Se todos esses países aderissem, aumentaria a demanda por crédito de carbono”.

Fonte: Portal eBand, Jornalismo, Economia, Gianvitor
Web: http://www.band.com.br/jornalismo/economia/conteudo.asp?ID=234676  



03/12/2009
Setor público precisa assumir compromisso com a
redução das emissões, diz ABEMC


Rio de Janeiro - A administração pública brasileira já deveria ter assumido uma postura mais pró-ativa na questão do aquecimento global, afirmou hoje (03/12/2009) o presidente da Associação Brasileira das Empresas do Mercado de Carbono (ABEMC), Flávio Gazani.

Em entrevista à Agência Brasil, ele disse que mesmo os Estados Unidos, maior poluidor mundial, responsável por 25% das emissões globais, já começam a apresentar uma mudança de postura em relação ao tema, com a nova gestão do presidente Barack Obama.

“Já tem muitos estados e municípios (norte-americanos) que fizeram seus inventários de emissões, estabeleceram metas e estão buscando reduzir as emissões. Estou falando de órgãos da administração direta e indireta “, afirmou.

Segundo ele, no Brasil, apenas o estado de São Paulo apresentou a primeira iniciativa de elaborar um inventário de emissões. “Existe uma falta de compromisso da administração pública e do país como um todo em assumir a nossa mea-culpa”, analisou Gazani. Entre os países desenvolvidos, não ratificaram o Protocolo de Quioto, além dos Estados Unidos, a Nova Zelândia e a Austrália.

Apesar disso, Gazani está otimista em relação ao resultado das negociações que ocorrerão durante a 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-15) em Copenhague, na Dinamarca , entre 7 e 18 de dezembro.O encontro objetiva elaborar um acordo em substituição ao Protocolo de Quioto, cuja vigência termina em 2012.

Embora o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a chanceler alemã Ângela Merkel tenham afirmado hoje que não se deverá chegar a um “acordo ideal” na COP-15, Gazani assegurou que “toda e qualquer tentativa de salvar o resultado final da conferência é válida”.

Segundo ele, a convergência das atenções do mundo para essa conferência vai sensibilizar a sociedade mundial com relação à seriedade do problema das mudanças climáticas. “A gente tem maiores chances de que os governantes assumam posturas mais responsáveis. À medida em que há a participação pública, a possibilidade de demonstração de vontade política aumenta”.

Gazani disse que observa com satisfação os governos do Brasil, da França e Alemanha engajados nesse esforço de encontrar uma saída para o problema do aquecimento global “até porque existe uma necessidade premente de que um novo acordo ou a continuação desse acordo seja atingido logo, para que não haja uma interrupção no compromisso assumido em Quioto, nem nas iniciativas que já vêm contribuindo de alguma forma para a mitigação das mudanças climáticas”.

A proposta brasileira de reduzir as emissões entre 36,1% e 38,9% até 2020, em relação aos níveis de 2005, foi considerada audaciosa pelo presidente da Abemc. “E coloca o Brasil em uma posição de liderança ante outras nações em desenvolvimento”.

Gazani ressaltou, contudo, que as metas estabelecidas pelo governo brasileiro são voluntárias. Isso significa que não há, ainda, a intenção do Brasil de assumir metas mandatórias, como foi feito anteriormente pelos países desenvolvidos.

Para estimular a redução das emissões no Brasil, em especial aquelas oriundas do desmatamento, Gazani sugeriu que todos os meios de financiamento sejam direcionados a projetos ou iniciativas que visem reduzir o desmatamento, principalmente na Amazônia. “Nós temos hoje cerca de 40% das florestas tropicais do mundo”.

Ele defendeu que seja instituído um sistema misto, em que fundos de governo e fundos privados possam investir nessas iniciativas de redução de emissões, aceitando a inclusão de mecanismos de mercado, como os projetos de mecanismo de desenvolvimento limpo (MDL), que gerem créditos de carbono e tenham um valor no mercado internacional “para que essas iniciativas venham ocorrer de fato e o mais rápido possível”.

O mercado voluntário de carbono é relativamente pequeno, se comparado ao mercado regulado pelo Protocolo de Quioto. Ele representa 2,9% do mercado regulado em termos relativos. Em faturamento, a participação é de 0,6%. O mercado global de carbono faturou no ano passado cerca de US$ 126 bilhões, enquanto o mercado voluntário registrou um total de US$ 700 milhões.

Para Gazani, a participação nesse mercado voluntário de carbono pode ser interessante para as empresas brasileiras, porque os créditos voluntários são mais baratos. Os projetos não têm que passar pelo mesmo processo de aprovação do mercado regulado.

Fonte: Agência Brasil, Notícias, Meio Ambiente, Alana Gandra
Web:
http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2009/12/03/materia.2009-12-03.7845022237/view